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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Carlos Rafael Dantas: exemplo de garra e determinação

PERFIL - Carlos Rafael Dantas conseguiu realizar seu sonho de ser médico, apesar das dificuldades
Ele tem 27 anos, mora em uma bela casa, localizada num dos melhores bairros da cidade. Tem carro, computador e tudo mais que um jovem da sua idade deseja. Recentemente, realizou um dos seus vários sonhos: se tornar médico! Essa poderia ser uma história comum, semelhante a de tantos outros jovens da classe média. Mas não é! Na verdade, essa é a história de Carlos Rafael Dantas, um homem que soube superar as adversidades impostas pela vida e que não mediu esforços para alcançar seus objetivos.

Filho de uma família muito carente, a mãe era lavadeira e o pai agricultor, foi preciso trabalhar cedo para ajudar na manutenção da casa. Como a família era grande e o dinheiro era pouco, nem ele, nem os 12 irmãos tiveram a oportunidade de estudar em escola particular. “O dinheiro que a gente tinha dava só para comprar a comida e olhe lá. Meu marido ganhava cinco reais por semana e eu dez”, contou emocionada a mãe de Carlos, Alice Dantas (66).

O interesse pelos estudos começou cedo. Quando fazia a pré-alfabetização, com seis anos, uma professora do Projeto Casulo foi até à casa da família Dantas avisar que o menino não podia mais estudar ficar na mesma sala que os outros. “Quando a professora chegou na minha casa dizendo que meu filho não podia mais estudar na escola eu nem escutei o resto. Joguei a trouxa de roupa no chão e corri para a escola pensando que eles estavam com preconceito com meu filho, porque era filho de lavadeira”. 

E só depois de muita confusão com as professoras, dona Alice entendeu que o filho não sairia da escola, e sim, mudaria de série porque apresentava um desempenho maior do que as outras crianças da mesma idade. “Ah! Quando me explicaram direitinho o que estava acontecendo senti um orgulho danado dele. Imagine só, qual a mãe que não vai ficar contente por ter um filho muito inteligente?”, explicou ela todo orgulhosa.

Em 1993, Carlos percebeu que Carnaúba dos Dantas estava pequena para os seus sonhos. E com 13 anos, foi estudar no Colégio Agrícola Vidal Negreiros, que fica em Bananeiras, interior da Paraíba. “O sonho do meu pai era ter um filho agrônomo. Nessa época eu percebi que Carnaúba estava pequena para mim e para o que eu queria. Então resolvi estudar no Colégio Agrícola, onde passei três anos”, explicou Carlos.

Longe de casa as dificuldades pareciam ser maiores. Como estudava no regime de internato, ele tinha direito à alimentação, moradia e a uma bolsa de R$ 60,00, que não dava nem para comprar os livros. Apesar de todas as dificuldades, ele conseguiu se destacar entre os outros garotos e começou a ser chamado para ministrar aulas e palestras, inclusive em outros Estados. Mas o que era alegria passou a ser motivo de preocupação. 

“Eu não tinha como custear as despesas da viagem. A escola bancava uma parte, mas precisava de dinheiro para me manter nos lugares. Minha família ajudava com o que podia e assim eu consegui. Mas em uma dessas viagens uma surpresa desagradável aconteceu. “Foi em Maringá, Paraná. Na época eu estava com 15 anos e de repente, no meio da apresentação de um trabalho eu passei mal. Foi quando diagnosticaram uma úlcera de fundo emocional, em virtude do alto nível de estresse que eu estava”. Por causa da doença, Carlos teve que passar um ano afastado dos estudos, fazendo tratamento médico.

Em janeiro de 1998 ele conseguiu terminar o curso no Colégio Agrícola. “Meu pai estava muito feliz. Tinha conseguido realizar seu sonho. Ninguém nunca o viu tão emocionado. Mas, infelizmente essa foi a última festa que ele participou”, relembra Carlos. Dois meses depois, o agricultor José Dantas faleceu. O fato abalou Carlos, que neste mesmo ano estava se preparando para prestar vestibular na UFRN.

Com a morte do pai, a situação financeira da família ficou ainda mais complicada e, aos 18 anos, Carlos teve que aprender a conciliar o trabalho com o estudo para o vestibular. “Comecei a trabalhar como professor, dando aulas de biologia, química e física. Isso também me ajudou muito na preparação para o vestibular, porque de certa forma eu também estava estudando”.

O sonho era prestar vestibular para medicina, mas acabou optando por Farmácia, na UFRN, e Agronomia, na UFPB, porque não se considerava preparado suficiente para disputar uma vaga em um dos cursos mais concorridos. “Meu sonho sempre foi ser médico, queria muito fazer medicina, mas eu tinha os pés no chão e sabia que não tinha condições de concorrer com pessoas que estudaram com os melhores professores, das melhores escolas”, contou Carlos.

Depois de tanta luta, veio a recompensa. Foi aprovado nos dois vestibulares: o de Agronomia (UFPB) e Farmácia (UFRN). Dessa vez a dúvida não foi tão difícil de ser resolvida. A paixão pela área da saúde falou mais alto e ele optou pelo curso de Farmácia. 

Em  2000, decidiu prestar vestibular para Medicina. Nessa época, ela se dividia entre o curso de Farmácia, a monitoria de Estatística e aulas no Cursinho do DCE da UFRN, uma outra forma que ele encontrou para ganhar uma renda extra e se preparar para as provas. “Eu não disse a ninguém que faria vestibular outra vez. Minha família soube porque eu liguei avisando que tinha sido aprovado e que agora sim, eu seria doutor”, disse emocionado

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