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domingo, 6 de agosto de 2017

Exame de DNA prova erro na história contada na Bíblia

Segundo o Velho Testamento, o destino desta etnia estava selado.
“Não deixarás vivo nada que respire,” disse Deus, segundo a Bíblia. “Irás destruí-los completamente”.
A frase se referia aos cananeus, um povo que viveu há milhares de anos na região que hoje corresponde à Jordânia, Líbano, Síria, Israel e os territórios palestinos. De acordo com o texto sagrado, sua vontade foi cumprida.
Um dos restos mortais analisados dos cananeus. Foto de IBT
No entanto, uma nova análise genética determinou que a população antiga sobreviveu a esta ordem divina, e que seus descendentes vivem no Líbano moderno.
O Dr. Tyler-Smith e uma equipe internacional de geneticistas e arqueólogos estudaram amostras de DNA de ossos pertencentes a cinco cananeus, recuperados de um sítio arqueológico em Sidon, Líbano, que tinham entre 3.650 e 3.750 anos de idade.
Os especialistas compararam o DNA antigo aos genomas de 99 pessoas vivas do Líbano que o grupo havia sequenciado, e descobriram que o povo libanês moderno compartilha cerca de 93% de seus genes com as amostras da Idade do Bronze de Sidon.
“Podemos ver que os libaneses da atualidade podem rastrear a maior parte de sua ascendência aos cananeus ou a uma população geneticamente equivalente,” disse Chris Tyler-Smith, geneticista do Instituto Wellcome Trust Sanger e autor do artigo sobre o estudo, publicado no The American Journal of Human Genetics. “Pouco mais de 90% de sua ascendência deriva dos cananeus”.
“A conclusão é clara,” reafirmou Iosif Lazaridis, geneticista de Harvard que não participou da pesquisa. “Com base neste estudo, descobriu-se que as pessoas que viveram no Líbano há quase 4 mil anos eram muito similares às pessoas que vivem ali hoje, aos libaneses modernos”.
O fator surpreendente do resultado – além do fato de que os cananeus não se extinguiram – é que ele indica que, apesar das migrações e conquistas que o Líbano viveu, o DNA dos libaneses atuais é definido por ancestrais cananeus.
Pouco se sabe sobre esta etnia, além do fato de que descendia de grupos de agricultores que se assentaram no Oriente Médio durante o Neolítico, e há cerca de 5 mil anos se misturaram com imigrantes do leste da Eurásia. Eles viviam e faziam comércio ao longo da costa oriental do Mediterrâneo atual, uma região que era conhecida como Levante. No entanto, não há registros desta civilização, provavelmente porque foram escritos em papiros que não suportaram o passar do tempo.
O DNA é, portanto, o registro histórico que nos resta dos cananeus, e revelou esta informação importantíssima.
“Observamos que há uma forte continuidade genética entre a população antiga e as modernas,” disse o geneticista espanhol Javier Prado, coautor do estudo. “Ambas as populações têm pigmentação da pele, olhos e cabelos semelhantes, embora seja provável que os cananeus tivessem a pele mais escura, já que não possuem uma variante em um gene, o SLC45A2, que é, curiosamente, o mesmo que está relacionado ao albinismo de Copito,” ele declarou ao jornal espanhol El País.
Fonte: Benito Kozman
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