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sábado, 21 de novembro de 2015

Antigo lago brasileiro de 278 milhões de anos está cheio de fósseis de anfíbios

Interpretação artística dos animais descobertos, incluindo o Timonya (o com guelras à esquerda) e o Procuhy (animal nadando através do tronco da árvore na direita)
Interpretação artística dos animais descobertos, incluindo o Timonya (o com guelras à esquerda) e oProcuhy (animal grande nadando pelo tronco da árvore na direita)
Um novo estudo descobriu diversos fósseis de anfíbios e répteis onde ficava um antigo lago tropical brasileiro, na região de Teresina.
Alguns dos animais encontrados são conhecidos pela ciência, outros são novos. De acordo com os pesquisadores, o local no qual foram descobertos possui 278 milhões de anos. Nessa época, Teresina ficava na atual latitude do Rio de Janeiro. Em vez de ter a temperatura quente pela qual é famosa hoje, era muito mais amena e úmida, além de recheada de lagos alcalinos.
Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Communications.

Gondwana

As duas novas espécies de anfíbios encontradas viveram durante o começo do período Permiano em Gondwana, um supercontinente que incluía a África, a América do Sul, a Austrália, a Antártida, o subcontinente indiano e a Península Arábica.
“Quase todo o nosso conhecimento sobre os animais terrestres deste supercontinente vem de um punhado de regiões na América do Norte e Europa Ocidental, localizados perto do equador”, disse Ken Angielczyk, coautor da pesquisa e curador do Museu Field, em Chicago, nos EUA. “Agora finalmente temos informação sobre que tipos de animais estavam presentes em áreas mais ao sul, e suas semelhanças e diferenças para os animais que viviam perto do equador”.

Timonya anneae

Um dos novos animais foi nomeado de Timonya anneae, em referência ao município de Timon, no Maranhão, onde foi descoberto, e a Ann Warren, especialista em um grupo diversificado de anfíbios primitivos de quatro patas.
Timonya era um predador carnívoro aquático que tinha presas e guelras, e parecia um cruzamento entre uma salamandra moderna e uma enguia. Vários espécimes foram encontrados, incluindo crânios e esqueletos, a maioria de indivíduos jovens.
Timonya anneae
Timonya anneae

Procuhy nazarienis

A outra espécie recém-descoberta é Procuhy nazarienis. Prot significa sapo e cuhy significa fogo na língua indígena timbira. Essa é uma referência a formação geológica “Pedra de Fogo” no qual ela foi encontrada. A formação fica município de Nazária, em Teresina, daí o “nazariensis”.
Procuhy provavelmente passou toda a sua vida na água. Ambos os anfíbios são parentes distantes de salamandras modernas.

Esclarecimentos

Os pesquisadores também descobriram fósseis de um anfíbio conhecido como Rhinesuchus, uma criatura cujos parentes mais próximos conhecidos viveram mais tarde no sul da África, e um lagarto chamado Captorhinus aguti, que só era conhecido a partir de fósseis na América do Norte até agora.
Estes achados destacam como os animais se espalharam e colonizaram novas áreas no Permiano.
“Os fósseis de áreas da América do Norte e Europa têm sido estudados há mais de um século, mas há questões de longa data sobre como diferentes grupos se dispersaram em outras áreas que não podíamos responder usando apenas esses exemplares”, explica Angielczyk. “Exploração em áreas menos estudadas, como o nordeste do Brasil, nos dá uma visão nova que podemos usar para comparações. Por sua vez, podemos ver quais animais estavam se dispersando para novas áreas, nomeadamente quando a idade do gelo estava terminando nos continentes do sul e as condições ambientais estavam se tornando mais favoráveis para répteis e anfíbios”. [LiveScienceOGlobo]
Créditos: HYPESCIENCE
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