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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Ex-amante de FHC era segredo de polichinelo: o público, o privado e as mentiras da política

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Que FHC teve um filho (biológico ou afetivo, não está claro) fora do casamento com a jornalista Miriam Dutra, sua ex-amante, sempre foi um segredo de polichinelo. No ano de 2000, quando o tucano ainda era presidente, a revista Caros Amigos publicou uma longa matéria que trazia na capa o título em letras garrafais: Por que a imprensa esconde o filho de 8 anos de FHC com a jornalista da Globo? A íntegra da matéria pode ser lida aqui. Relê-la pode ser um bom exercício para se entender como uma história deste gênero foi abafada por tanto tempo. Modo geral, naquele período a imprensa silenciou. Coisa da vida privada de um então presidente, será?
Histórias de amantes de homens poderosos sempre despertam atenção. Nos Estados Unidos Bill Clinton passou por maus lençóis quando foi revelada a existência de seu caso com a estagiária Mônica Lewinsky. Houve até a pimenta do sexo oral no Salão Oval da Casa Branca. Um bafafá que lhe manchou o mandato. Mas isso nos Estados Unidos, onde o comportamento pessoal (ou moral) das figuras públicas é sempre escrutinado e pode ter um peso decisivo para o sucesso ou não das carreiras públicas. As aventuras de Clinton não impediram, entretanto, que sua mulher, Hillary, ascendesse na vida política americana, com chances de ser a próxima candidata à presidência pelo Partido Democrata.
Por aqui, a exposição da vida privada de homens públicos parece seguir rumos outros.
Vale, de princípio, a regra de dois pesos, duas medidas. Se mantida em segredo a história de FHC, o mesmo não aconteceu com o então candidato Lula em 1989, quando os editores do Jornal do Brasil (JB) entenderam ser do interesse público a informação de que Lula tinha uma filha anterior a seu casamento. A mãe, no caso, não era uma amante, mas uma antiga namorada, também, coincidência do destino, chamada Miriam (Cordeiro), com quem Lula mantivera um relacionamento antes de se casar. Nesse caso a imprensa não considerou a informação como parte da vida privada de um homem público. Alguns meses depois de ter saído a matéria do JB, Miriam foi ao programa de TV de Collor, o adversário do petista, para falar, em depoimento pago, que Lula teria lhe sugerido que abortasse, o que causou um estrago grande na campanha do candidato. 
Mas tudo isso é passado.
No árduo tempo presente, de total descrédito da vida pública, a história rediviva de FHC e sua amante parece ganhar um contorno menos óbvio. Reforça, sobretudo, a ideia de que não apenas FHC, mas todos os políticos são, afinal, dissimulados – e junto com eles todo o aparato que lhes dão ou deram suporte, a mídia, os grupos de interesse. Mais um episódio, entre tantos outros, que marca o abismo entre a política e o cidadão. Talvez não seja, à luz do ano de 2016, o aspecto moral da história que reverberará por mais tempo, mas sim a sensação generalizada de que o mundo político é feito de mentiras.
Seja como for, em um país assentado no patriarcalismo como o nosso, filho fora do casamento ou amantes são encarados pelo senso comum como parte da paisagem. Como se fosse um direito natural do homem, ainda mais poderoso, ter uma família ampliada. No final quem paga o principal da conta será sempre a mulher, que cuidará de filhos ou viverá anonimamente. O que dirá a chamada opinião pública?
Por Rogério Jordão
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