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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Treinamento constante é a chave para obter sucesso na redação do vestibula

*Por Luciana Migliaccio (Lucy)
Woman writing with pen
No livro “Do Que Eu Falo Quando Eu Falo de Corrida”, o escritor japonês Haruki Murakami, um dos mais importantes da literatura japonesa da atualidade, traça um paralelo entre o ato de correr e o ato de escrever. O autor – e maratonista –  afirma que as principais qualidades de um escritor são: “talento”, “concentração” e “persistência”, e que essas duas últimas podem ser conquistadas e aperfeiçoadas com treinamento, assim como ocorre a preparação física de um atleta para uma maratona.
Em certo trecho de sua obra, ele afirma: “A maior parte do que sei sobre escrever, aprendi correndo todos os dias. São lições práticas, físicas. Até onde posso me forçar? Quanto descanso é apropriado? Quanta consciência do mundo exterior devo ter e quanto devo me concentrar em meu próprio mundo interior? Sei que se eu não tivesse me tornado um corredor de longa distância, quando me tornei romancista, minha obra teria sido vastamente diferente”.
Murakami nos serve de inspiração. A redação de vestibular, tão temida pelos candidatos – e com razão de ser, uma vez que interfere de maneira decisiva na aprovação  –  é uma habilidade que se conquista por meio do treinamento: EXIGE EMPENHO, TRABALHO. Ao contrário do que dita o senso-comum, a escrita NÃO É UM FENÔMENO ESPONTÂNEO, UM DOM que poucas pessoas têm. Mas também NÃO É UMA COMPETÊNCIA QUE SE FORMA COM ALGUMAS “DICAS”; exige do indivíduo um estudo sério e orientado. O ato de escrever requisita que se tenha intimidade com a língua escrita formal; a corrida, preparação física.
As perguntas feitas pelo escritor são muito pertinentes. O candidato ao vestibular deve treinar sua escrita como se estivesse se preparando para uma “maratona” (e aqui, a metáfora é muito usual): o vestibular. A frequência de produção textual depende de uma série de fatores: em ano de vestibular, o tempo é exíguo, o candidato se desdobra entre centenas de aulas e exercícios das variadas matérias que compõem a prova. Por isso, é necessário “balancear” o estudo para que uma preparação não interfira em outra.
A frequência ideal de produção de redações é um texto por semana, de temas variados, contando, nesse treinamento, com o auxílio de um profissional qualificado – uma espécie de  personal  ­ ­ que figure como “examinador”, que aponte os pontos falhos e as qualidades de cada texto elaborado, a fim de que ele seja melhorado. Inicialmente, há uma certa “flexibilidade” em relação ao tempo de produção textual: pequenos trechos podem ser produzidos em dias e momentos variados até a composição final da redação. Pesquisar na internet, em jornais e revistas informações sobre o tema é um procedimento saudável – a “consciência do mundo exterior”, nos termos de  Murakami  – como uma aquisição de repertório.
Quanto mais próximo do momento da prova, mais organizado deve ser o estudo, e mais preparado para a situação real o candidato deve estar. Assim, alguns meses antes da prova, a intimidade com o ato de escrever deve levá-lo a produzir o texto, sem grandes dificuldades, entre 1h30 e 2h00, um tempo considerado adequado para a maioria dos vestibulares. As pesquisas devem ser evitadas, e o candidato deve se “concentrar em meu próprio mundo interior”, no repertório construído ao longo desse treinamento.
É preciso ser “persistente”, portanto, e não esperar resultado imediato: um bom texto é fruto de quilômetros de escrita. A redação deve ser vista como um “processo” sujeito a quedas, dores, superações e, por fim, vitórias.
lucy_migliaccio
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