Seguidores

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Bolsonaro compara pretos a porcos durante palestra para judeus

Na palestra proferida, noite passada, no auditório do clube Hebraica, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) comparou a porcos os negros, descendentes das nações africanas escravizadas no Brasil.
O discurso de ódio do deputado Jair Bolsonaro (PSC/RJ) inspira atos de selvageria
O discurso de ódio do deputado Jair Bolsonaro (PSC/RJ) inspira atos de selvageria
— O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas (unidade de medida de peso usada na agropecuária brasileira, equivalente a 15kg, segundo o dicionário Caldas Aulete, mas comumente usada no interior do país para referência de peso em banha e porcos vivos). Não fazem nada. Nem para procriadores servem mais — disse o parlamentar de ultradireita, em outra referência aos animais.
E a plateia riu.
Assista, a seguir, ao vídeo:
Enquanto um grupo de manifestantes protestava do lado de fora, cerca de 300 pessoas enchiam o auditório. Bolsonaro, em seu discurso, também prometeu rever a posse das terras indígenas no país. Possivelmente, o militar da reserva será candidato, em 2018, se houver eleições.
Na apresentação do parlamentar, não faltaram agressões verbais à presidenta cassada Dilma Rousseff e à política de integração dos povos em território nacional:
– Pode ter certeza que se eu chegar lá não vai ter dinheiro pra ONG. Se depender de mim, todo cidadão vai ter uma arma de fogo dentro de casa. Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola.

Racismo latente

Sem tomar conhecimento que o local onde pisava pertence à comunidade judaica, tradicionalmente originária de grandes migrações pelo mundo, o deputado voltou a atacar os afrodescendentes, trazidos ao Brasil nos porões do tráfico de escravos. Para o radical da extrema direita, os quilombolas são um entrave à economia. E os comparou aos refugiados:
— Não podemos abrir as portas para todo mundo — disse, referindo-se aos povos marcados por guerras civis em seus países.
Bolsonaro, no entanto, faz distinção entre os estrangeiros:
— Alguém já viu algum japonês pedindo esmola? É uma raça que tem vergonha na cara!
Os manifestante do lado de fora, articulados por movimentos juvenis da comunidade judaica, levantavam cartazes e gritavam: “Judeu e sionista não apoia fascista”. “Quem permite torturar se esquece da shoá”. “Pela vida e pela paz, tortura nunca mais”. Um grupo de mulheres entoava: “Ei, mulher, ele apoia o estupro”.
Postar um comentário