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terça-feira, 27 de junho de 2017

Temer contra Temer: 5 declarações e contradições citadas por Janot

O presidente Michel Temer no Palácio do Planalto (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)










O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, utilizou declarações do presidente Michel Temer em pronunciamentos, entrevistas e notas de sua assessoria para reforças aspectos da denúncia apresentada por corrupção passiva. Janot destacou contradições de Temer como ao dizer que se encontrou com Joesley Batista, dono da JBS, para tratar da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, que só viria a ocorrer dez dias depois, assim como declarações na qual ele confirma ter indicado o ex-assessor Rocha Loures para atuar como seu interlocutor junto ao empresário.
Veja a lista:
Carne Fraca
Em entrevista Temer disse que quando Joesley manifestou interesse de encontrá-lo achou que o empresário desejava falar sobre a operação Carne Fraca e por isso o recebeu. Ocorre que o encontro no Palácio do Jaburu ocorreu em 7 de março e a Operação da PF só foi deflagrada dia 17, como demonstrou o GLOBO. Janot destacou que “as próprias versões apresentadas pelo denunciado Michel Temer a respeito de certos fatos colidem entre si”.
Jatinho da JBS
O procurador-geral da República destacou a contradição de Temer ao responder sobre uso de um avião bimotor da JBS, de prefixo PR-JBS. Em uma primeira nota, o presidente negou ter viajado: “O presidente não fez nenhuma viagem em aeronave de nenhuma espécie em janeiro de 2011, para Comandatuba”, afirmou. No dia seguinte, porém, quando os registros do voo foram divulgados, Temer confirmou ter realizado a viagem, mas disse não saber quem era o dono do avião. Janot incluiu na denúncia registros do diário de bordo da aeronave que confirmam a presença de Temer.
Indicação de Rocha Loures
Em pronunciamento feito sobre o episódio, Temer disse que fez a indicação do ex-assessor Rocha Loures para “se livrar” de Joesley. Janot contesta a versão, destacando que tal interlocutor só foi indicado após o dono da JBS falar sobre uma série de crimes cometidos e pedir alguém para tratar de seus interesses no governo. “Não se sustenta, portanto, a versão dada por Michel Temer em seus pronunciamentos públicos, segundo a qual indicou Rodrigo Loures para “se livrar” de Joesley Batista. Na verdade, a conversa no Palácio do Jaburu foi a continuidade das tratativas para as solicitações, aceitações e recebimentos de vantagens indevidas habituais e que viriam em sequência. Note-se ainda que os encontros futuros não seriam apenas com Rodrigo Loures, pois o próprio presidente Michel Temer aventou a possibilidade de novos encontros no Palácio do Jaburu”, escreveu Janot.
Relação com Rocha Loures
Um vídeo gravado por Michel Temer em apoio a Rocha Loures também foi utilizado. Na gravação, de 2014, Temer pede votos ao aliado e ressalta a proximidade entre eles: “Aliás, ele, aqui [no gabinete da vice-presidência], operava não só auxiliando a mim no Brasil todo”. Janot observou ainda o fato de R$ 200 mil terem sido doados pela campanha de Temer à de Rocha Loures naquele ano. No áudio gravado por Joesley, Temer se refere ao ex-assessor como alguém de sua “mais estrita confiança”.
Encontros na calada da noite
Em um pronunciamento sobre o episódio, Temer disse que é comum receber pessoas no final da noite: “confesso que o ouvi à noite, como ouço muitos empresários, políticos, trabalhadores, intelectuais e pessoas de diversos setores da sociedade brasileira”. A PGR fez um cruzamento das agendas do presidente de 1º de abril a 13 de junho, constatando não haver nenhum registro de reuniões após as 22 horas. Ressaltou ainda o fato de Temer ter se negado a responder perguntas da Polícia Federal pedindo que indicasse outros interlocutores recebidos em situações semelhantes.
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