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domingo, 8 de dezembro de 2019

Abandonados, pontos históricos de Natal pedem socorro

Esquecidos pelo poder público, seja estadual ou municipal, diversos monumentos históricos e sítios importantes para a formação de Natal aguardam medidas efetivas para recuperação, restauração e, acima de tudo, preservação da história de cada um deles para a população da capital potiguar.
O Agora RN visitou na última quinta-feira, 14, sete importantes pontos para a formação da cidade – Forte dos Reis Magos, Ponte férrea sobre o Rio Potengi, Marco de Touros (Marco Quinhentista), Antiga Estação Rodoviária de Natal, Marco Zero de Natal e a Praça de Santa Cruz da Bica.
A reportagem teve auxílio do historiador Nadson Gutemberg, especialista no passado da capital potiguar, que listou pontos situados em áreas de grande fluxo populacional, mas que, por muitas vezes, estão incólumes aos olhos dos natalenses.

Um dos pontos visitados, o Forte dos Reis Magos, localizado em uma das praias urbanas de Natal, atualmente está fechado para o público. Isso ocorre mesmo com o início da alta estação turística, pois o Governo do Estado segue com uma atribulada obra de recuperação iniciada no fim de 2018.
Segundo Nadson Gutemberg, as dificuldades enfrentadas pelo poder público em recuperar e permitir uma preservação rotineira destes sítios históricos, além da falta de interesse de boa parte da população em protegê-los, acelera a degradação destes monumentos. Veja-os na sequência.
Forte dos Reis Magos
Localização: As margens da foz do Rio Potengi
Data de edificação: 25 de dezembro de 1599
Importância histórica: Foi a primeira construção do Rio Grande do Norte. Edificado por ordem de Felipe II (rei da Espanha e Portugal – União Ibérica), o forte é um projeto do padre belga Gaspar de Samperes – em formato de estrela (polígono estrelado com o ângulo saliente para o Norte). Foi rebatizado durante a invasão holandesa e passou a ser chamando de “Castelo Keulen”.
Situação atual: Hoje em dia é administrado pela Fundação José Augusto. Há anos em reforma, o Forte continua fechado às visitações turísticas, com a pintura descascando, apresentando diversas manchas de sujeira, maresia e desgaste.
O Agora RN tentou ouvir a Fundação José Augusto sobre a reforma do Forte dos Reis Magos, mas não obteve resposta.

Ponte férrea sobre o Rio Potengi
Localização: ligação férrea rodoviária entre os bairros das Quintas e Igapó, em Natal
Data de edificação: 1916
Importância histórica: Ponte pênsil simples, sustentada por vãos e arcos de ferro, sobre pilastras de concreto armado, com cerca de 520 metros. A estrutura marca a passagem da capital potiguar com os municípios da região metropolitana. Foi a primeira grande obra de engenharia do Rio Grande do Norte.
Situação atual: A estrutura continua abandonada e enferrujada. A ponte foi entregue para a iniciativa privada em 1974. O novo proprietário retirou metade da estrutura metálica e revendeu as peças. Hoje abandonada, foi tombada pelo governo estadual na década de 1980. Em 2013, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) ajuizou Ação Civil Pública solicitando ao Governo do Estado e à Prefeitura do Natal a revitalização da ponte. A medida ainda não foi cumprida.

Antiga Estação Rodoviária de Natal – Museu de Cultura Popular
Localização: Bairro da Ribeira, na Zona Leste de Natal
Data de edificação: 16 de dezembro de 1963
Importância histórica: Quando inaugurada, pelo então prefeito Djalma Maranhão, recebeu o nome do Presidente Kennedy (líder americano John Fitzgerald Kennedy). É uma construção projetada pelo arquiteto potiguar Raimundo Gomes. Atualmente abriga o Museu de Cultura Popular e pequenas unidades comerciais.
Situação atual: O Museu de Cultura Popular funciona de forma precária, sem sistema de refrigeração, inviabilizando a visita por muito tempo em seu interior.
De acordo com o órgão responsável pelo prédio, a Fundação Capitania das Artes (Funcarte), já há um projeto para pintura e pequenos reparos na estrutura. No entanto, o serviço ainda não tem data para realização de licitação e, por conseguinte, início das obras.

Marco Zero de Natal – Praça André de Albuquerque
Localização: Cidade Alta, zona leste de Natal
Data de edificação: Antes de ser transformada em praça, o sítio foi o ponto de partida na fundação da cidade do Natal, em 1599. A área foi transformada em local público no fim do século XIX.
Importância histórica: Foi o ponto de concentração para grandes manifestações públicas do início do século XX. Em 1937, a praça recebeu o monumento aos heróis da Revolução de 1817. A peça, em formato de obelisco, é uma homenagem para duas importantes figuras da história potiguar: André de Albuquerque e Padre Miguelinho.
Situação atual: A praça se encontra em reforma e é utilizada como “moradia” por pessoas em situação de rua.
A Secretaria Estadual de Infraestrutura (SIN) aponta que a praça André de Albuquerque está no contrato de requalificação das praças do Centro Histórico, com recursos do PAC Cidades Históricas. A previsão é de que outros 13 sítios históricos sejam reformados.

Construções do centro histórico de Natal
Localização: Ruas Chile, Tavares de Lira, Doutor Barata e Frei Miguelinho, no bairro da Ribeira, zona Leste da capital.
Importância histórica: Segundo bairro mais antigo de Natal, a Ribeira tem sua origem ligada a Praça Augusto Severo, que ficava em uma área muito alagada pelas marés do rio Potengi, nos séculos XVIII e XIX. Quando da Segunda Guerra Mundial, o bairro da Ribeira era o local do centro comercial da cidade e frequentado por milhares de norte-americanos que aqui estavam nas bases militares.
Na antiga Rua do Comércio, atual Rua Chile, eram encontradas as principais empresas exportadoras e importadoras, bem como a maioria das lojas e o Palácio do Governo. O bairro apresenta um vasto casario de estilo Neoclássico, neogótico e art nouveau.
Situação atual: Diversas construções necessitam de reformas estruturais urgentes.

Praça de Santa Cruz da Bica “Limites de Natal”
Localização: entre as Ruas Gonçalves Lêdo, Voluntários da Pátria e Santo Antônio
Data de edificação: século XVIII.
Importância histórica: O nome da cruz se chama Santa Cruz da Bica, porque ela ficava nas margens do Baldo, cujo nome antigamente era Rio das Bicas. Ela marcava o fim do território que seria Natal.
Situação atual: se apresenta em abandono e o marco praticamente não recebe visitações.
A Secretaria Estadual de Infraestrutura (SIN) aponta que a Praça de Santa Cruz da Bica também está no contrato de requalificação das praças do Centro Histórico, com recursos do PAC Cidades Históricas. Os serviços da praça de Santa Cruz da Bica ainda não têm previsão de início.

Marco de Touros
Localização: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN)
Data de edificação: Foi instalada no que é hoje o município de Touros, na área conhecida como Praia do Marco, em 1501. Em 1976, a peça foi colocada no Forte dos Reis Magos. Hoje, o marco se encontra no Instituto Histórico e Geográfico.
Importância histórica: Confeccionado em pedra “lioz”, com cerca de 1,60m de altura, apresenta em relevo a Cruz da Ordem de Cristo e a representação das armas do Rei de Portugal.
Situação atual: Apesar de estar em um instituto historiográfico, a população local e turistas desconhecem sua localização, bem como onde visitá-lo.
A peça está localizada logo na entrada do prédio. Não há qualquer proteção para evitar a deterioração do material.

Fonte: Agora RN

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