Mostrando postagens com marcador Distritão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Distritão. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de agosto de 2017

Após críticas, deputados falam agora em 'semidistritão'

FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
RANIER BRAGON
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - É tal o nível de idas e vindas, confusão e divergência na reforma política atualmente votada pela Câmara que deputados começaram a discutir nesta quarta-feira (16) um modelo eleitoral possivelmente inédito no mundo, o "semidistritão".
Ou "distritão ligth", "distritão misto", ainda não se chegou a um acordo sobre o nome oficial da proposta.
A ideia foi discutida na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que reuniu pela manhã líderes dos principais partidos governistas e de oposição para tentar reunir apoio ao "distritão", o modelo de onde deriva o "semidistritão".
A exemplo do padrinho, o mais novo modelo já nasceu sob polêmica e uma chuva de ironias. Se o "distritão" só existe no Afeganistão, Jordânia, Vanuatu e Ilhas Pitcairn, o "semidistritão", dizem deputados, pode ser celebrado como genuína criação nacional.
Até as 18h não havia consenso nem apoio suficiente para aprovação de nenhum dos dois e a Câmara seguia no impasse: não sabia se votava ou não a alteração ainda nesta quarta.
O MODELO
Para entender a polêmica: em 2015 o Supremo Tribunal Federal proibiu as empresas de continuar a abastecer financeiramente as campanhas políticas. Dessa decisão deriva a atual reforma política, que pretende ampliar o financiamento público aos candidatos.
Apesar da troca do dinheiro empresarial por aquele saído dos cofres públicos, o bolo será menor. Calcula-se que metade do que os candidatos tiveram à disposição em 2014.
Por isso, o mundo político pretende enterrar o atual modelo de eleição para a Câmara, o "proporcional", que estimula os partidos a lançar o maior número de candidatos possível. Isso porque as cadeiras são distribuídas com base no total de votos recebido pela sigla ou candidatos, eleitos ou não eleitos.
Para resolver o problema, o mundo político ressuscitou o "distritão", modelo defendido pelo PMDB de Michel Temer e já rejeitado pelos deputados em 2015.
Esse sistema pressupões o lançamento de bem menos candidatos, pois são eleitos os mais votados. Os votos dados aos não eleitos e aqueles direcionados em excesso aos eleitos são jogados no lixo, não contam pra nada -seriam mais de 60% dos votos em São Paulo, por exemplo, se o "distritão" estivesse em vigor em 2014.
Como falta apoio (uma emenda à Constituição, como é o caso, precisa do voto de pelo menos 308 dos atuais 513 deputados), surgiu na manhã dessa quarta a tentativa do meio-termo: o "semidistritão", ou "distritão ligth", ou "distritão misto".
Por esse novo modelo, seriam eleitos os mais votados, mas permaneceria a possibilidade de o eleitor votar na legenda. Os votos dados ao partido seriam distribuído igualitariamente entre todos os candidatos da sigla.
BIRUTA DE AEROPORTO
O debate sobre o novo modelo eleitoral é só um dos indicativos do grau de confusão e improviso em que a atual reforma política é debatida.
Três comissões da Câmara discutem o assunto, com prazo curto de deliberação, já que tudo tem que estar aprovado na Câmara e Senado até setembro para valer nas eleições de 2018.
Votações e sessões são marcadas e desmarcadas em questão de minutos. Os relatórios do deputado Vicente Cândido (PT-SP) são alterados diariamente ao sabor das polêmicas surgidas (como a que queria evitar por oito meses a prisão de candidatos) ou dos acordos feitos e desfeitos.
Originalmente ele era a favor do sistema de listas fechadas (um parente do "proporcional", "distritão" e afins). Depois, por falta de apoio, optou pela manutenção do atual. Agora, discute o distritão e a sua variação.
Há três relatórios atualmente em debate. Um de Vicente Cândido sobre alterações constitucionais. Outro de alterações de leis ordinárias e um terceiro, da deputada Shéridan (PSDB-RR), também com mudanças na Constituição. Não há consenso em torno de nenhum deles.
Nem mesmo sobre a criação de mais um fundo público, de R$ 3,6 bilhões, para abastecer as campanhas. Nesta quarta, depois do desgaste político provocado, os deputados resolveram patrocinar mais um recuo. Tiraram o indicador que resultaria nos R$ 3,6 bilhões em 2018. O Congresso irá discutir o valor até lá. Pode ser até maior. "Tudo é possível, mas espero que se aplique o limite do razoável", afirma Cândido.

Fonte: Folha Press via Yahoo Notícias