Deveria ser muito claro o quanto de mazelas sociais, das mais
cruéis, são produzidas e mantidas pelo capitalismo, não fosse o empenho
da esquerda direitosa em esconder a própria existência desse sistema,
aderindo ao discurso da burguesia de que o capitalismo é bom desde que
administrado com competência, honestidade e determinação. A partir dessa
visão, chegaríamos a ter um capitalismo humanizado, em lugar do
capitalismo selvagem, como se isso fosse possível.
As
extravagâncias, os níveis de crueldade do sistema capitalista, que além
do mais, é extremamente predatório, chega ao cúmulo, levando o atual
papa, Bento XVI, figura comprometida com uma trajetória de extrema
direita, vir a público, durante a passagem do ano, para dizer que o
capitalismo deve evitar os seus exageros.
O discurso de
um papa ultra-direitista, termina ficando bem à frente da esquerda
direitosa, que omite, sob todos os aspectos, qualquer denúncia ao
sistema socioeconômico em causa e, dessa forma, contribui para a sua
manutenção enquanto ele nos arrasta para a tragédia total.
A sobrevida do capitalismo, apesar de suas enormes contradições e
ostensivas crises, se deve ao papel que jogou e joga a esquerda
direitosa, nesses últimos noventa anos de hegemonia stalinista. Como
decorrência desse papel levada a cabo por essa esquerda de matriz
stalinista, temos aí, como testemunha eloquente de nossas sucessivas
derrotas, a permanência dessa ordem econômica e social exaurida. Mesmo
contrariando toda a lógica, eles gozam de uma estranha hegemonia
política, pois falta a existência de movimentos e partidos
anticapitalistas com o devido peso.
Face ao extremo
estado de pobreza política, fica a esquerda direitosa e seus
circundantes, alimentando-se de migalhas políticas do tipo o chavismo na
Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correia no Equador, enquanto
somam-se, a essas migalhas, os estremecimentos conjunturais que se
passam na Grécia, na Espanha, na França, na Itália, como expressão do
quadro de exaustão do capitalismo, enquanto dá-se a ausência de um
projeto de superação desse sistema, ou seja, a ausência de um projeto
socialista com a envergadura política que se faz necessária.
Créditos: Gilvan Rocha